Cientista esclarece fatores que geram escassez de água

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Francisco Esteves ressalta a importância da preservação das nascentes para o abastecimento das cidades.

Em meio à crise hídrica nacional registrada nos últimos meses, o cientista e professor da Universidade federal do Rio de Janeiro, Francisco Esteves, ressalta que em Macaé a escassez da água está relacionada a três fatores. São eles: a degradação da bacia hídrica mais o aumento da demanda de consumo somado ainda à má gestão da Cedae.  

"Há muito tempo nós, ambientalistas, já falávamos dessa seca em Macaé. Observamos a destruição cada vez mais crescente das matas ciliares, os aterros, construções irregulares, tudo que é fundamental para a crise. Nos últimos meses, devido à falta de chuva, a seca no município assim como em todo Brasil se tornou algo visível", explica. 


Ele conta ainda que vamos ter períodos de muitas secas e chuvas intensas. E destaca que o consumo de água está crescendo e a tendência é aumentar cada vez mais e que, em virtude disso, medidas necessárias devem ser tomadas o quanto antes. "Continuo batendo na tecla de que é necessário reflorestar as matas das galerias e preservar o que ainda existe. Não se pode mais autorizar fazendeiros a desmatar florestas. É preciso preservar as nascentes do Rio Macaé e recuperar as áreas que ainda são possíveis de recuperação", ressalta. 


O cientista alerta também que não podemos imaginar a economia do petróleo sem água. "Macaé é uma cidade conhecida como a Capital Nacional do Petróleo e que recebe várias empresas, e todas dependem de água, há gastos do recurso hídrico e sem água não há condições de manter e garantir investimentos. A água tem que se tornar uma política de estado", frisou. 


Recentemente, em outra entrevista concedida ao Jornal, Esteves lembrou que a sobrevivência do Rio está nas mãos do poder municipal e da população e que, se providências não forem tomadas o quanto antes, pode ser que em um futuro bem próximo o município tenha que importar água. 


Para ele, o governo municipal deveria fazer como várias prefeituras do Brasil, notadamente a do Estado de São Paulo: criar secretarias de Gestão de Recursos Hídricos com orçamento e com poder para promover a gestão racional dos recursos hídricos do município. "Macaé tem que tornar a gestão racional de seus recursos hídricos uma política de governo municipal, que tenha poder e orçamento independente de gestão. Motivo: a água é um recurso estratégico para a população e para o qual não há substituto", disse. 

 

O docente ressalta ainda que, se continuarem os elevados níveis de degradação da mata de galeria e das matas protetoras das nascentes que abastecem a calha do Rio Macaé, sem contar com o elevado nível de degradação da qualidade da água, será inevitável em curto tempo enfrentarmos a escassez de água doce para atender as crescentes demandas da população, seja para uso doméstico, irrigação, agropecuária, geração de energia (termoelétricas), assim como para atender as demandas da cadeia do petróleo. 

Fonte: O Debate - Diário de Macaé