PLANÍCIE DE INUNDAÇÃO DO RIO ARAGUAIA

14 A 30 DE JANEIRO DE 2019

 Prezada comunidade acadêmica, é com grande satisfação que faço um breve relato sobre a Expedição Biguá, desenvolvida entre os dias 14 a 30 de janeiro de 2019 na Planície de Inundação do Rio Araguaia. Percorremos cerca de 1.556 km de rio (percurso de ida e volta), compreendendo pontos de coleta no canal principal do Rio Araguaia, 50 lagos e cinco afluentes (Rio Vermelho, Rio do Peixe, Rio Crixás, Rio Cristalino e Rio das Mortes). A escala espacial da Expedição Biguá abrangeu desde a cidade de Aruanã-GO até quase o final da Ilha do Bananal, maior ilha fluvial do mundo.

Este estudo foi financiado pela FAPDF (Edital Demanda Espontânea Nº04/2017 - http://www.fap.df.gov.br/) e contou com suporte logístico/financeiro do Programa de PósGraduação em Ciências Ambientais (PPGCA - http://fupunb.wixsite.com/ppgca), Faculdade UnB Planaltina (FUP - http://fup.unb.br/), AquaRipária (http://www.aquariparia.org/) e Environmental Isotope Studies (EIS - https://www.eisunb.com/).

Coletamos informações ambientais e biológicas capazes de dar subsídio a dez estudos principais (vejam títulos provisórios abaixo) além de outros tantos secundários:

1. Biomagnificação de mercúrio na cadeia trófica do Rio Araguaia;

2. Diversidade da comunidade fitoplanctônica do Rio Araguaia;

3. Diversidade de bactérias magnetotáticas no Rio Araguaia;

4. Produção de Gases do Efeito Estufa nos Sedimentos Fluviais e Lacustres: Contribuições na Fronteira das Mudanças de Uso/Cobertura do Solo;

5. Balanço de carbono no Rio Araguaia;

6. Dinâmica da comunidade zooplanctônica na Planície de Inundação do médio Araguaia;

7. Fatores determinantes da diversidade beta das comunidades de macrófitas aquáticas na Planície de Inundação do Rio Araguaia;

8. Homogeneização dos hábitos alimentares em comunidades ribeirinhas;

9. Padrões espaciais de macroinvertebrados associados a macrófitas aquáticas na Planície de Inundação do médio Araguaia;

10. Caracterização fisico-química e qualidade da água na Planície de Inundação do Rio Araguaia.

A equipe de campo foi formada por dois docentes (Ludgero Vieira/UnB-FUP e Priscila Carvalho/UFG), oito doutorandos (Ana Caroline de Alcântara Missias/PPGCA-UnB/FUP, Clara Nina Rodrigues Nunes/PPGCA-UnB/FUP, Lilian de Castro Moraes Pinto/PPGCA-UnB/FUP, Leonardo Fernandes Gomes/PPGCA-UnB/FUP, Cleber Nunes Kraus/PPGCA-UnB/FUP, Regina Célia Gonçalves/Ecologia-UnB/IB, Flávio Roque Bernardes Camelo/Ecologia-UnB/IB e Ludmila Caetano/ Inst. de Geociências/UFF), um mestrando (Leonardo Beserra da Silva/PPGCA-UnB/FUP) e três alunos de graduação/Iniciação Científica (Paulo Henrique Araújo Dias/Gestão Ambiental/UnB/FUP, Thallia Santana Silva/Gestão Ambiental/UnB/FUP e Igor Nunes Taveira/Ciências Biológicas/UFRJ).

Além dos pesquisadores, compôs a equipe de campo: (i) a jornalista Serena Veloso Gomes, que brilhantemente fez a cobertura da Expedição Biguá, atuando inclusive na coleta de informações da população ribeirinha e (ii) o grande cozinheiro da FUP, Stanislau Pinto Brandão, "Sr. Brandão"! Em todos os dias, o Sr. Brandão acordava por volta das 04:00 horas da madrugada, às 06:00 o café da manhã estava pronto, às 10:00 o almoço era servido e às 18:00 o jantar estava à mesa! Sempre com um grande sorriso no rosto, o Sr. Brandão "mimou" todo nosso grupo, tanto com comidas deliciosas quanto com seu carisma.

Apesar do trabalho árduo, que iniciava às 06:30h e terminava por volta das 19:30h (com exceção de um grupo, cuja rotina diária frequentemente chegava até às 22:30h), toda equipe trabalhou com muito entusiasmo e dedicação ímpar! Esperamos que estes projetos somem com as demais atividades desenvolvidas na FUP e colabore com o estabelecimento e maior qualificação de nossos programas de Mestrado e Doutorado (rumo ao tão sonhado Conceito 5 da CAPES em 2021). Um agradecimento especial vai para a direção da FUP, para o Joaquim e Salgado, que continuamente vêm nos ajudando das mais diversas formas possíveis! Segue abaixo algumas fotos retratando um pouco tudo o que foi desenvolvido.

Muito obrigado a todos!

Ludgero Vieira

 

Na edição nº 21 da Revista Darcy também há uma reportagem sobre a Expedição Biguá (págs 28 - 35). Para visualização acesse o link: Revista Darcy nº 21

Vídeo sobre a expedição:

 

 

A reportagem do Hora 1, exibida no dia 16 de abril de 2019, traz as questões do novo decreto nº 9.760, de 11 de abril de 2019 que mantém a previsão de que multas ambientais podem ser convertidas em serviços de preservação e recuperação do meio ambiente e cria o núcleo de conciliação. Especialistas fazem algumas ressalvas e dizem que não esá muito claro como vão funcionar esses núcleos de conciliação e também duvidam que os conciliadores vão dar conta dos milhares de processos administrativos que são abertos todos os anos.

O coordenador do projeto AquaRiparia e pesquisador da Universidade de Brasília, José Francisco Gonçalves Júnior, fala sobre o perigo dessas decisões, que podem fragilizar as áreas de proteção permanente. Acompanhe a reportagem:

 

 

 

 

A reportagem do Jornal da Globo em parceria o Globo Natureza traz discussões envolvendo a utilização e a falta de água para irrigação de lavouras. O Brasil é um dos 10 países que mais consomem recursos hídricos na agricultura e deve ter um crescimento de 45%. Para isso dar certo sem esgotar a matéria prima, a construção de barragens é uma boa opção, que pode ajudar a melhorar a vazão dos rios. O coordenador do projeto AquaRiparia e pesquisador da Universidade de Brasília, José Francisco Gonçalves Júnior, fala sobre a preservação do Cerrado, conhecido como berço das águas.

 

Acompanhe a reportagem:

 

Adote uma nascente é o programa do IBRAM que procura pessoas dispostas a conservar e proteger os recursos hídricos e foi tema de reportagem no Bom Dia DF, da Globo. Aqui no Distrito Federal mais de 300 nascentes já foram adotadas.

Acompanhe a reportagem: 

Vista de cima do Rio Tapajós, no Amazonas, Brasil

Um dos países com maior disponibilidade de recursos hídricos do mundo, o Brasil tem problemas com seus indicadores de água. O atendimento da rede de abastecimento foi de 83,5% da população em 2017, em média, segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério do Desenvolvimento Regional. Em 2013, esse valor era de 82,5%.

A evolução é considerada pequena pelo presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, já que quase 35 milhões de pessoas permanecem sem acesso. Ele explica que, embora esse tenha sido o indicador que mais avançou, os números têm se mantido em níveis similares nos últimos oito anos.

A queda nos investimentos é um dos fatores que explica esse cenário, segundo o especialista. Em 2013, foram investidos R$ 13,2 bilhões. Em 2017, foram R$ 10,96 bilhões.

O acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto no país é desigual. As áreas urbanas tendem a ter índices melhores, enquanto áreas irregulares e afastadas são mais prejudicadas. Além de políticas públicas que assegurem o atendimento, que é dificultado pela distribuição desequilibrada da água e da população no território brasileiro, outro imbróglio é a conservação do próprio recurso, que enfrenta desafios.

Falta de saneamento

Um dos maiores vilões da qualidade da água no Brasil é a oferta de saneamento básico. Pouco mais da metade da população brasileira, 52,4%, tinha coleta de esgoto em 2017, e apenas 46% do esgoto total é tratado, de acordo com o SNIS.

Dessa forma, um grande volume de esgoto não coletado ou não tratado é despejado em corpos d'água, provocando problemas ambientais e de saúde. "Essa falta de infraestrutura de saneamento básico tem um impacto brutal na qualidade das águas de todo o país", diz Carlos.

Não só a carência de coleta e de tratamento de esgoto é problemática, mas também a poluição causada por indústrias e pela agricultura, como o lançamento de agrotóxicos.

Desmatamento, em especial no Cerrado

O desmatamento de matas ciliares, que acontece em todas as bacias hidrográficas do Brasil, altera a quantidade e a qualidade dos corpos hídricos. Essa vegetação protege o solo, ajuda na infiltração da água da chuva e na alimentação do lençol freático e permite a recarga dos aquíferos.

Sua retirada aumenta o assoreamento, a perda do solo, a erosão e a taxa de evaporação da água. Segundo José Francisco Gonçalves Júnior, professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), todos esses impactos reunidos podem levar a uma indisponibilidade natural de recursos hídricos. 

Em outra frente, o desmatamento do Cerrado, considerado a "caixa d'água do Brasil" por causa de sua posição estratégica na formação de bacias hidrográficas, vem sendo devastado pela expansão da fronteira agrícola. "Qualquer alteração no Cerrado pode levar a uma degradação de inúmeras bacias hidrográficas de extrema relevância para obtenção de recursos hídricos brasileiros", afirma Gonçalves.

Para o professor, o uso do solo do bioma teve um efeito positivo na produtividade agrícola, mas a falta de uma regulação mais firme tem levado a uma superexploração, com vários danos. "Perda de território, de recarga de aquíferos, uma perda muito grande de nascentes e uma degradação e diminuição da disponibilidade de água", enumera.

Desperdício e perdas na distribuição de água

As perdas físicas e comerciais de água são outro grande problema. Elas são causadas por vazamentos nas tubulações, fraudes e erro de leitura nos hidrômetros e ficaram em torno de 38%, em média, em 2017, de acordo com o SNIS. A média em países desenvolvidos é inferior a 20%.

Um estudo conduzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados revelou que o volume desperdiçado equivale a cerca de sete mil piscinas olímpicas por dia e representa prejuízos da ordem de R$ 10,5 bilhões anuais.

A ineficiência se reflete na tarifa, cria uma demanda artificial de água na natureza para compensar as perdas e traz outras consequências. "Existe também a perda econômica pela tarifa não paga pela água que se perdeu e um problema social porque, em momento de crise, as linhas de distribuição perdem pressão, e as pessoas que moram longe, normalmente as mais pobres, são as primeiras a sofrer com a falta de água", diz Carlos.

Mudanças climáticas

Um agravante para a conservação da água são as mudanças climáticas, que podem provocar alterações no regime de chuvas. Essa é uma das alterações previstas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), assim como uma maior duração dos períodos de secas e com temperaturas mais altas.

As chuvas que se infiltram no solo são as de baixa intensidade e de tempo prolongado, eventos que estão ficando mais raros, segundo o professor da UnB. Quando uma grande quantidade de chuva cai em um pouco tempo, há uma tendência ao escoamento superficial porque o solo atinge sua capacidade de saturação e para de absorver.

"Da perspectiva de recursos hídricos, o grande problema é que não é possível absorver o que a atmosfera devolve para a crosta", diz Gonçalves. Do ponto de vista governamental, ele afirma que os gestores devem se qualificar para lidar com "as novas características que o planeta vem apresentando" e investir em um banco de dados sólidos sobre as bacias hidrográficas e ecossistemas aquáticos.

 

Crédito do texto: Manoella Oliveira/DW Brasil - 22/03/2019