A reportagem do Hora 1, exibida no dia 16 de abril de 2019, traz as questões do novo decreto nº 9.760, de 11 de abril de 2019 que mantém a previsão de que multas ambientais podem ser convertidas em serviços de preservação e recuperação do meio ambiente e cria o núcleo de conciliação. Especialistas fazem algumas ressalvas e dizem que não esá muito claro como vão funcionar esses núcleos de conciliação e também duvidam que os conciliadores vão dar conta dos milhares de processos administrativos que são abertos todos os anos.

O coordenador do projeto AquaRiparia e pesquisador da Universidade de Brasília, José Francisco Gonçalves Júnior, fala sobre o perigo dessas decisões, que podem fragilizar as áreas de proteção permanente. Acompanhe a reportagem:

 

 

 

 

A reportagem do Jornal da Globo em parceria o Globo Natureza traz discussões envolvendo a utilização e a falta de água para irrigação de lavouras. O Brasil é um dos 10 países que mais consomem recursos hídricos na agricultura e deve ter um crescimento de 45%. Para isso dar certo sem esgotar a matéria prima, a construção de barragens é uma boa opção, que pode ajudar a melhorar a vazão dos rios. O coordenador do projeto AquaRiparia e pesquisador da Universidade de Brasília, José Francisco Gonçalves Júnior, fala sobre a preservação do Cerrado, conhecido como berço das águas.

 

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Adote uma nascente é o programa do IBRAM que procura pessoas dispostas a conservar e proteger os recursos hídricos e foi tema de reportagem no Bom Dia DF, da Globo. Aqui no Distrito Federal mais de 300 nascentes já foram adotadas.

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Vista de cima do Rio Tapajós, no Amazonas, Brasil

Um dos países com maior disponibilidade de recursos hídricos do mundo, o Brasil tem problemas com seus indicadores de água. O atendimento da rede de abastecimento foi de 83,5% da população em 2017, em média, segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério do Desenvolvimento Regional. Em 2013, esse valor era de 82,5%.

A evolução é considerada pequena pelo presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, já que quase 35 milhões de pessoas permanecem sem acesso. Ele explica que, embora esse tenha sido o indicador que mais avançou, os números têm se mantido em níveis similares nos últimos oito anos.

A queda nos investimentos é um dos fatores que explica esse cenário, segundo o especialista. Em 2013, foram investidos R$ 13,2 bilhões. Em 2017, foram R$ 10,96 bilhões.

O acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto no país é desigual. As áreas urbanas tendem a ter índices melhores, enquanto áreas irregulares e afastadas são mais prejudicadas. Além de políticas públicas que assegurem o atendimento, que é dificultado pela distribuição desequilibrada da água e da população no território brasileiro, outro imbróglio é a conservação do próprio recurso, que enfrenta desafios.

Falta de saneamento

Um dos maiores vilões da qualidade da água no Brasil é a oferta de saneamento básico. Pouco mais da metade da população brasileira, 52,4%, tinha coleta de esgoto em 2017, e apenas 46% do esgoto total é tratado, de acordo com o SNIS.

Dessa forma, um grande volume de esgoto não coletado ou não tratado é despejado em corpos d'água, provocando problemas ambientais e de saúde. "Essa falta de infraestrutura de saneamento básico tem um impacto brutal na qualidade das águas de todo o país", diz Carlos.

Não só a carência de coleta e de tratamento de esgoto é problemática, mas também a poluição causada por indústrias e pela agricultura, como o lançamento de agrotóxicos.

Desmatamento, em especial no Cerrado

O desmatamento de matas ciliares, que acontece em todas as bacias hidrográficas do Brasil, altera a quantidade e a qualidade dos corpos hídricos. Essa vegetação protege o solo, ajuda na infiltração da água da chuva e na alimentação do lençol freático e permite a recarga dos aquíferos.

Sua retirada aumenta o assoreamento, a perda do solo, a erosão e a taxa de evaporação da água. Segundo José Francisco Gonçalves Júnior, professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), todos esses impactos reunidos podem levar a uma indisponibilidade natural de recursos hídricos. 

Em outra frente, o desmatamento do Cerrado, considerado a "caixa d'água do Brasil" por causa de sua posição estratégica na formação de bacias hidrográficas, vem sendo devastado pela expansão da fronteira agrícola. "Qualquer alteração no Cerrado pode levar a uma degradação de inúmeras bacias hidrográficas de extrema relevância para obtenção de recursos hídricos brasileiros", afirma Gonçalves.

Para o professor, o uso do solo do bioma teve um efeito positivo na produtividade agrícola, mas a falta de uma regulação mais firme tem levado a uma superexploração, com vários danos. "Perda de território, de recarga de aquíferos, uma perda muito grande de nascentes e uma degradação e diminuição da disponibilidade de água", enumera.

Desperdício e perdas na distribuição de água

As perdas físicas e comerciais de água são outro grande problema. Elas são causadas por vazamentos nas tubulações, fraudes e erro de leitura nos hidrômetros e ficaram em torno de 38%, em média, em 2017, de acordo com o SNIS. A média em países desenvolvidos é inferior a 20%.

Um estudo conduzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados revelou que o volume desperdiçado equivale a cerca de sete mil piscinas olímpicas por dia e representa prejuízos da ordem de R$ 10,5 bilhões anuais.

A ineficiência se reflete na tarifa, cria uma demanda artificial de água na natureza para compensar as perdas e traz outras consequências. "Existe também a perda econômica pela tarifa não paga pela água que se perdeu e um problema social porque, em momento de crise, as linhas de distribuição perdem pressão, e as pessoas que moram longe, normalmente as mais pobres, são as primeiras a sofrer com a falta de água", diz Carlos.

Mudanças climáticas

Um agravante para a conservação da água são as mudanças climáticas, que podem provocar alterações no regime de chuvas. Essa é uma das alterações previstas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), assim como uma maior duração dos períodos de secas e com temperaturas mais altas.

As chuvas que se infiltram no solo são as de baixa intensidade e de tempo prolongado, eventos que estão ficando mais raros, segundo o professor da UnB. Quando uma grande quantidade de chuva cai em um pouco tempo, há uma tendência ao escoamento superficial porque o solo atinge sua capacidade de saturação e para de absorver.

"Da perspectiva de recursos hídricos, o grande problema é que não é possível absorver o que a atmosfera devolve para a crosta", diz Gonçalves. Do ponto de vista governamental, ele afirma que os gestores devem se qualificar para lidar com "as novas características que o planeta vem apresentando" e investir em um banco de dados sólidos sobre as bacias hidrográficas e ecossistemas aquáticos.

 

Crédito do texto: Manoella Oliveira/DW Brasil - 22/03/2019

Público foi formado por estudantes de especialização, mestrandos e doutorandos, bem como por autoridades estrangeiras e da UnB. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

Mais de dois terços da superfície do planeta Terra é composta de água, mas a maior parte deste recurso não está disponível para consumo humano. O alerta é do especialista em ecologia e ecossistemas aquáticos Stuart Bunn. O convidado australiano ministrou a aula inaugural da pós-graduação no semestre. A exposição atraiu mais de 500 pessoas, que lotaram o auditório da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), na tarde da última segunda-feira (18).

Buscando compreender a relação entre os ambientes terrestre e aquático, o pesquisador tem se dedicado à influência dos fluxos e ciclo de água na biodiversidade dos ecossistemas dos rios. “As ameaças globais e as pressões crescentes vêm se intensificando, especialmente nos países em desenvolvimento”, ressaltou.

“As áreas de maior risco encontram-se justamente onde se concentram as reservas de água doce, resultado do aumento das tensões, aliadas ao choque climático e à complexidade transfronteiriça”, indicou. Stuart Bunn citou o caso do Brasil, que, apesar de possuir mais de 10% de toda a água doce mundial, apresenta diferentes impasses, como má distribuição, desmatamento e poluição. Agricultura e pecuária também têm grande impacto nessas questões.

Embora a água disponível nos rios e lagos de todo o planeta corresponda a um volume de apenas 93 mil quilômetros cúbicos, a biodiversidade nesses ambientes é muito expressiva. A fauna, por exemplo, representa 40% de todas as espécies de peixes conhecidas mundialmente.

Para Stuart Bunn, Austrália e Brasil têm biomas com características semelhantes e podem compartilhar experiências bem-sucedidas. Foto: Heloíse Corrêa/Secom UnB

Diante desse contexto, o australiano acredita que é preciso melhorar o uso eficiente da água. “Há que se reconectar rios e canais, e restaurar os fluxos aquáticos. É possível planejar e identificar potenciais cenários, otimizando investimentos para maximizar benefícios”, argumentou.

Em sua visão, a escassez de água não é apenas um problema ambiental, mas de cunho político e econômico. Por isso, ele sugere engajamento de diferentes instituições e atores. “Em geral, superestima-se o entendimento do público sobre o ciclo da água”, refletiu o pesquisador, reconhecendo a falta de consciência da população mundial sobre o uso desse bem.

“O papel da ciência para o uso sustentável da água deve focar não apenas nas soluções, mas também em influenciar a sociedade como um todo”, comentou. Para ele, a comunidade científica precisa trabalhar de modo mais transdisciplinar, conectando diferentes áreas do conhecimento. “Não basta pensar somente na quantidade, mas é importante considerar também a qualidade da água." 

Stuart Bunn mostrou iniciativas da Austrália que têm contribuído para minimizar os danos para as próximas gerações. Desde 2000, quando o país passou por uma grande seca, diversas medidas foram implementadas para garantir um gerenciamento mais eficiente da água. “Uma lei federal foi criada para proteger e retornar o recurso para o meio ambiente, com investimento de cerca de 13 bilhões de reais”, apontou.

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Joseana Freitas levou a filha de sete meses para acompanhar a palestra. “Embora não seja minha área de pesquisa, achei muito válida a discussão dessas questões, sobretudo nesse momento que vivemos de mudanças climáticas e escassez de recursos”, contou.

Pós-graduanda na UnB, Joseana Freitas se sente acolhida e percebe solidariedade por parte de colegas e docentes para conciliar a maternidade aos estudos. Foto: Heloíse Corrêa/Secom UnB

Diversas autoridades da UnB participaram do evento promovido pelo Decanato de Pós-Graduação (DPG), assim como representantes de embaixadas de países com os quais a Universidade tem acordos. A ocasião foi também oportunidade para apresentar o Plano de Internacionalização e lançar o edital Capes PrInt UnB 2019. Como parte do processo de internacionalização da UnB, a palestra foi proferida totalmente em inglês, sem tradução.

Para a reitora Márcia Abrahão, a vinda do professor Stuart Bunn à UnB reforça a qualidade da instituição. “Somos uma das melhores universidades do Brasil e da América Latina e, ao mesmo tempo, uma instituição democrática, diversa e que acolhe as pessoas. É dessa forma que espero ver a jornada de vocês aqui, com excelência acadêmica e consciência de nosso papel na sociedade", aconselhou aos pós-graduandos.

A cerimônia contou com apresentação musical de duo composto por ex-alunos e filhos de professores da UnB: Gabriela Tunes, na flauta doce, e João Ferreira, no violão. O repertório foi marcado por canções brasileiras, como o clássico choro de Pixinguinha, Lamentos.

Gabriela é filha da professora Elizabeth Tunes, do Instituto de Psicologia, e João, filho de Clodo Ferreira, da Faculdade de Comunicação. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

Crédito do texto: Carolina Pires/Secom UnB - 20/03/2019