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Lago Paranoá apresenta proliferação de plantas aquáticas e especialistas alertam para desequilíbrio ambiental

A presença crescente de plantas aquáticas em diferentes pontos do Lago Paranoá tem chamado a atenção da população brasiliense. Áreas próximas ao Deck Sul e outras regiões do lago passaram a exibir extensas manchas verdes formadas por espécies como aguapé-miúdo, lentilha-d’água e salvínia, criando um cenário incomum e levantando questionamentos sobre a qualidade da água.

Segundo especialistas ouvidos pela imprensa local, o fenômeno está relacionado ao processo de eutrofização, caracterizado pelo excesso de nutrientes, principalmente fósforo e nitrogênio, presentes na água. Esse enriquecimento favorece o crescimento acelerado de plantas aquáticas e algas, podendo comprometer o equilíbrio ecológico do ambiente.

O professor José Francisco Gonçalves Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), explica que o surgimento dessas espécies funciona como um importante indicador ambiental.

“Essas algas são como um bioindicador da qualidade ruim da água”, destacou o pesquisador.

De acordo com o especialista, a eutrofização está frequentemente associada ao lançamento de esgoto, ao acúmulo de matéria orgânica e à entrada excessiva de nutrientes nos corpos hídricos. O processo pode reduzir a oxigenação da água e afetar diretamente a fauna e a flora locais.

Outro aspecto apontado pelos pesquisadores é o caráter invasor de algumas dessas espécies. O professor Fabrício Escarlate, do Centro Universitário de Brasília (CEUB), ressalta que a introdução de plantas que não pertencem naturalmente ao ecossistema pode gerar desequilíbrios importantes.

“Há um desequilíbrio ambiental porque você tem a introdução de espécies que não deveriam estar nesse local e não há predadores que as consumam”, explicou.

Além dos impactos ecológicos, a proliferação excessiva dessas plantas pode alterar a disponibilidade de nutrientes, competir com espécies nativas e dificultar atividades recreativas e de navegação em determinadas áreas do lago.

Caesb reforça monitoramento e ações de manejo

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) informou que acompanha continuamente a situação e que a presença de plantas aquáticas não representa risco para os usuários do Lago Paranoá nem para o abastecimento público de água.

Segundo a companhia, desde o início de 2026 já foram removidos aproximadamente 2,5 mil metros cúbicos de vegetação aquática do lago, em ações permanentes de monitoramento e manejo ambiental.

A Caesb também esclarece que a ocorrência dessas plantas é um fenômeno natural em ambientes aquáticos e não possui relação direta com os processos de tratamento de água realizados pela companhia.

O que isso significa para o Lago Paranoá?

Embora a presença de plantas aquáticas faça parte da dinâmica natural dos ecossistemas aquáticos, o aumento expressivo dessas espécies pode indicar alterações na qualidade da água e reforça a necessidade de monitoramento constante.

Para especialistas, o episódio serve como um alerta sobre a importância da preservação dos recursos hídricos, do controle da poluição e da gestão adequada dos nutrientes que chegam ao Lago Paranoá, um dos principais cartões-postais e reservatórios ambientais de Brasília.

A importância do monitoramento ambiental

Casos como este demonstram como o acompanhamento contínuo da qualidade da água é fundamental para identificar alterações precoces nos ecossistemas aquáticos. O monitoramento de parâmetros físicos, químicos e biológicos permite compreender a evolução dos corpos hídricos e orientar ações de preservação ambiental.

A Aquariparia acompanha temas relacionados à qualidade da água, gestão de recursos hídricos e sustentabilidade, contribuindo para a disseminação de informações técnicas e científicas que auxiliam na conservação dos ambientes aquáticos do Distrito Federal e de todo o Brasil.

 

Leia a matéria no Correio Brasiliense:
Uma Ameaça para o Lago